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Os diretores do TEPA, Daniela Carmona e Adriano Basegio, foram contemplados com o Prêmio de Interações Estéticas da Funarte – Residências Artísticas em Pontos de Cultura, e estão em Salvador realizando intercâmbio com a Fundação Pierre Verger. O nome do Projeto chama-se PULSO – uma imersão na Célula Negra, e o trabalho pesquisa a poética que repousa sob as qualidades rítmicas e sonoras das principais matrizes que deram origem ao que chamamos de “Pulso” ou pulsar rítmico e sonoro do Brasil. Em dezembro irão estrear um espetáculo integrando atores, alunos e os diversos núcleos do Espaço Cultural Pierre Verger. Ainda em agosto será apresentado uma montagem teatral como resultado da Oficina de Teatro para Crianças e também o evento Casa dos Sentidos, onde serão realizados performances distribuídas em diversos locais das Fundação Pierre Verger que abrange uma quadra inteira no Bairro Engenho Velho de Brotas, ambos os eventos são dirigidos por Daniela e Adriano e contam com a participação dos professores e alunos da Fundação.

Hoje postamos aqui uma entrevista que fizemos com a nova professora do Teatro Escola de Porto Alegre, a atriz e diretora de teatro Gina Toccheto, que depois de oito anos morando e dando aulas em Portugal, na renomada Companhia do Chapitô, volta a Porto Alegre, e nos conta um pouquinho da sua jornada artística até aqui.A entrevista foi realizada via e-mail quando Gina se preparava para embarcar para o Brasil na metade de Agosto.

Gina está ministrando aulas na turma do curso “Experimentos em Teatro” e “Oficina de Iniciação Teatral” as segundas-feiras a noite.

 

 

Blog do TEPA: Como é tua trajetória no Teatro?Começou em Porto Alegre?

G.T: Comecei em Santa Maria, aos 14 anos, fazendo parte do recém criado grupo de teatro do colégio Santa Maria. Logo depois ingressei na Faculdade de Comunicação e comecei a trabalhar com profissionais do teatro em Santa Maria, como o Alexandre Kieling e a Fátima Marques. Fazia parte também de um grupo de teatro amador que pesquisava a obra do dramaturgo gaúcho Qorpo-Santo e fazia intervenções performáticas na cidade e no campus da UFSM.Achava que a atividade teatral poderia ser um hobby. Quando percebi que era a minha opção principal de vida, mudei-me para Porto Alegre e ingressei na Faculdade de Teatro da UFRGS. A partir daí começou a minha atividade profissional em teatro como atriz e professora e, agora também, como diretora. Assim trabalhei em São Paulo e em Portugal. Em Lisboa continuei estudando e concluí o mestrado em Estudos Teatrais.

Blog do TEPA: Qual era teu sonho de infância, o que tu pretendeu ser na vida quando era criança e depois adolescente?

G.T: Eu tive dois sonhos.  Ambos realizei e continuo a realizar. O primeiro era dançar. Cursei ballet na infância e adolescência e canalizei o interesse pela dança como pesquisadora da expressão corporal, em nível prático e acadêmico. O segundo era “Conhecer o Mundo através do Teatro”, não só no sentido geográfico, mas também no sentido humano. Estou a realizar este sonho desde que assumi a profissão.

Blog do TEPA: Como foi parar nas Artes Cênicas?

G.T: Naturalmente. Por vontade e decisão.

Blog do TEPA: Dos diretores que trabalhou aqui no Sul, qual tu identifica um trabalho que tu seguiste e que trouxe um bom aprendizado para tua trajetória artística?

G.T: A referência forte como diretor foi o Irion Nolasco, que junto com a Maria Lúcia Raymundo, marcou definitivamente minha carreira como atriz. Desta ligação se segue a parceria com a Daniela Carmona, que dirigiu a Besta-Fêmea, um projeto que sintetizava a experiência que ambas tivemos na pesquisa universitária sobre o trabalho do ator e ao mesmo tempo antecipava nossas tendências individuais como artistas.

Blog do TEPA: O que te fez querer sair de Porto Alegre?Mudar pra outro lugar?Já tinha em mente a Europa?

G.T: Eu tenho um grande senso  de aventura e curiosidade. Quis experimentar como seria a vida como atriz no centro do país, no maior mercado de trabalho nesta área, àquela época: São Paulo. E, como tenho dupla nacionalidade, sou ítalo-brasileira, também tinha o sonho de viver e trabalhar na Europa, por uns tempos.

Blog do TEPA: Tu te formou no DAD (Departamento de Artes Dramáticas da UFRGS). Como a faculdade foi importante no teu trabalho como professora  de teatro?

G.T: Foi fundamental. Tive excelentes professores e participei da pesquisa extra-curricular “A Utilização das Energias Corporais no Treinamento do Ator” orientada pela Maria Lúcia Raymundo e pelo Irion Nolasco. Esta última experiência formatou minha abordagem como professora de teatro.

Blog do TEPA: Sei que em Portugal você ficou anos trabalhando na Companhia do Chapitô.Fala sobre essa experiência?

G.T: Foi como cair de pára-quedas no lugar mais adequado ao meu estilo profissional. Uma Companhia que valoriza o trabalho de equipa, o jogo como abordagem para a representação, a linguagem corporal e o humor. Foi outra escola teatral, pois como atriz e diretora tive oportunidade de aprofundar a pesquisa da linguagem corporal, limando os excessos formais à procura do gesto justo. E diverti-me muito trabalhando.

Blog do TEPA: Você deu aulas em Portugal?Interpretação apenas ou outras técnicas?

Nos lugares em que morei, sempre exerci as atividdes profissionais que comecei no RS: no RS eu atuava, dava aulas, trabalhava com a linguagem audio-visual, estudava e dirigia. Assim foi em São Paulo e assim foi em Portugal.Em Portugal descobri outra paixão profissional – a dublagem. Em Portugal dei aulas de interpretação, expressão corporal e expressão dramática no CHAPITÔ, no FÓRUM-DANÇA, na CULTURGEST, na IN-IMPETUS e para grupos de teatro. Ultimamente estava a trabalhar também na formação de professores de escolas.

Blog do TEPA: Feliz com o convite do Teatro Escola de Porto Alegre e por poder ministrar teus conhecimentos novamente aqui? Já conhecia o TEPA?

Sim. Primeiro, porque considero o TEPA uma excelente escola de teatro. Já dei aulas nesta escola antes de ir para São Paulo. Segundo, porque vou retomar o trabalho com duas amigas e colegas que muito admiro, a Jezebel de Carli e a Daniela Carmona, dois “motores” de criação e inovação teatral.

Blog do TEPA: E o que espera encontrar nos alunos gaúchos que vão iniciar os cursos com você?Pode adiantar a forma que está pensando de dar sua aula aqui no TEPA?

Faz já 13 anos que não dou aulas em Poa, estou curiosa para conhecer a atitude dos estudantes de teatro desta cidade em 2011.Especificamente no TEPA, já sei que estão iniciados na abordagem psico-física para a interpretação, pois conheço os seus mentores: A Daniela, o Adriano, a Jezebel. A verdade é que ainda sem estar lá, já sinto-me em casa. Eu tenho o meu estilo como formadora, mas isto será adaptado aos objetivos gerais da escola e aos conteúdos das disciplinas a ministrar. Na montagem de fim de curso, trabalharei em parceria com a Jezebel, o que implica a retomada de uma cumplicidade, já iniciada via internet neste momento.